Wrong Way

Estou compartilhando na íntegra um depoimento que reforça a importância do autoconhecimento para orientação profissional e pessoal.

Quantas pessoas hoje em dia vivem os sonhos dos outros?

Quem nunca desejou ter o emprego de alguém famoso?

Por que deixamos de ir atrás de nossos sonhos e nos deixamos levar pelo dia a dia?

Essas armadilhas nos pegam quando não nos conhecemos, quando não temos a convicção de quem somos, para onde queremos ir e como ir em direção ao nosso objetivo.

Este depoimento é de uma jovem profissional de 27 anos, engenheira que deu um passo em direção a um sonho, porém este sonho não era o dela.

Para alguns esta história pode ser vista como um momento ruim, para outros, a grande oportunidade da vida. Para a Bruna, ela significou transformação.

Tudo começou em Janeiro de 2017.

Eu trabalhava há 3 anos em uma empresa no ramo da construção civil (sou engenheira formada há quase 5 anos) e estava em busca de uma nova oportunidade no mercado.

Não é novidade pra ninguém que a construção civil está em seu pior momento aqui no Brasil.

Pois é, além desta crise, eu também estava em um ambiente muito machista e de pouca possibilidade de crescimento. Nesta empresa todos os grandes cargos eram ocupados por homens.

O nosso CEO não era brasileiro e tinha uma cultura bem diferente, tornando o ambiente de difícil convivência. Não tínhamos liberdade de expressão, deveríamos seguir sempre o que ele julgava como certo e as pessoas acabavam trabalhando apenas pela questão financeira.

Eu sabia que deveria ficar ali até aprender o máximo possível, mas quando a hora chegasse, eu deveria ir atrás do que era meu sonho de carreira.

Na minha cabeça, eu criei a imagem de que eu deveria ser uma grande gestora (gerente ou diretora) de uma grande empresa, e deveria iniciar este processo o mais rápido possível (não sabia dizer o porquê, mas sabia que isso deveria acontecer).

Comecei a refletir sobre o que eu poderia fazer que me levasse a este objetivo e também em qual tipo de empresa.

Conversei com alguns amigos e colegas de outros mercados e rapidamente percebi que, para crescer e ganhar muito dinheiro, eu precisaria ir para a indústria farmacêutica ou para bens de consumo.

Eu nem sequer pensei a fundo se isso realmente combinava com o meu perfil. Quando eu coloco algo na cabeça, eu simplesmente não desisto até atingir o objetivo.

Decidido o nicho, agora era a hora de atuar. Como sair daquele segmento e migrar totalmente a minha carreira profissional? Não seria fácil entrar em um destes mercados, visto que eles são muito fechados e a maioria das pessoas entra com cargos de estagiários.

Eu sabia que teria que aceitar um downgrade, não só de salário, mas de cargo também e isso não era um problema pra mim.

Aos 27 anos, recomeçar ainda seria algo acessível, ainda mais sabendo que isso traria o que eu tanto buscava para a minha vida.

Contratei uma empresa de outplacement para me ajudar a desenvolver algumas habilidades na comunicação pelo Linkedin e também para contatos profissionais.

Foram necessários 3 meses de esforços até eu então conseguir o tão sonhado emprego: um cargo na indústria farmacêutica.

Eu estava tão feliz com a minha conquista que parecia que minha vida estava prestes a começar…e ela realmente estava. Eu só não imaginava como.

Comecei a trabalhar. Os primeiros dias foram incríveis.

A empresa era enorme.

Tudo lindo, limpo, grande, moderno.

Pessoas importantes, aprendizados novos a cada segundo, cargos altos por onde quer que eu olhasse, vidas repletas de tarefas profissionais. Me senti alguém importante.

Achava que estar nesse ambiente me transformaria na profissional que eu deveria ser: a grande gerente.

Os dias foram passando, as coisas já não pareciam mais tão especiais.

O trabalho era sempre pra ontem, muitas coisas acumulando, tarefas extremamente operacionais e um ritmo frenético, aonde as pessoas chegavam cedo e não tinham hora para sair.

Filhos pequenos? Sim, mas e daí? O mais importante não é levar o dinheiro pra casa?

Recém-casados que não tinham tempo de curtir seus relacionamentos.

Diretoras mulheres super importantes que não conseguiam levar e nem buscar seus filhos no colégio.

Comecei a me questionar até que ponto era isso o que eu queria de verdade para a minha vida.

Eu já não acordava mais com aquela alegria para trabalhar. Pelo contrário, agora eu acordava triste.

Minha vida era resumida em sair cedo, chegar tarde e ainda ter pouco tempo para quem eu amava.

Eu estava infeliz e me afundando por causa de uma crença que tinha de que, para ser feliz, eu deveria ter um cargo alto e ganhar bem.

Isso já não fazia mais sentido naquele momento. Eu nunca havia sentido isso, de não querer sair da cama para ir trabalhar.

Como isso poderia ser o trabalho da minha vida? Percebi que havia ignorado algo fundamental nesse caminho todo que trilhei: o autoconhecimento.

Em que momento da minha vida eu achei que deveria ser gerente para ser feliz?

Por que um cargo me traria felicidade?

Que felicidade é essa que ganha milhares de reais, mas não tem tempo para gastar?

Que felicidade é essa que vale o risco de um casamento mal sucedido?

Que felicidade é essa que não permite que eu jante com meus pais e veja-os envelhecer?

Naquele dia que pensei sobre isso entendi o real sentido do que seria a felicidade pra mim.

Felicidade pra mim, Bruna, é poder alinhar vida pessoal e profissional. Encontrar meu propósito de vida. Encontrar um trabalho que eu faça por amor, competência e que ainda me permita o sustento para realizar os meus sonhos da vida pessoal.

Aquele emprego, infelizmente, não era pra mim. Isso não significa que ele não é para você ou para outra pessoa. Conhecer a si mesmo é a chave para o sucesso, não um cargo ou um salário alto.

Trabalhei nessa empresa por quase 3 meses (período da experiência) e resolvi pedir demissão.

Hoje eu consigo enxergar claramente o que eu não devo e o que eu não quero para a minha vida.

Precisei passar por uma situação muito difícil de aceitação para ver a Bruna por dentro.

Eu havia criado um personagem para minha vida e deixei que ele dominasse quem eu realmente sou. Isso tudo por causa das regras que a sociedade nos impõe.

Temos que ser magros, bem vestidos, bom salário, agenda cheia, caso contrário não nos enquadramos e nos sentimos excluídos. E como ninguém quer se sentir assim, assumimos uma personalidade que não necessariamente é a nossa, apenas para preencher esse vazio que sentiríamos ao sermos nós mesmos.

E eu pergunto, até que ponto isso vale a pena? Onde está escrito que o sucesso profissional é ser Gerente e ganhar bem? Por que devemos trabalhar em grandes empresas para sentir orgulho do que fazemos?

Eu sempre quis trabalhar em uma empresa renomada, apenas para dizer o nome dela quando alguém perguntasse. Isso me dava orgulho. Mas pra que?

Onde está escrito que, para ser uma pessoa bem sucedida, precisamos entrar às 7hrs e sair às 20hrs?

A sociedade criou alguns conceitos que nós não percebemos, mas estão implícitos dentro de nós. Claro que algumas pessoas têm perfil para isso, mas vejo que para mim não funciona.

Depois de todo esse período, eu comecei uma grande jornada de autoconhecimento e ainda estou me descobrindo a cada dia.

Através da minha análise de perfil comportamental DiSC, muitas características minhas, tanto no âmbito pessoal, como no profissional ficaram claras.

Isso me fez entender o porquê de muitas coisas da minha personalidade e como usar isso a meu favor na hora de escolher um caminho.

Hoje entendi que o tipo de ambiente é algo essencial na empresa que eu estiver, coisa que eu antes eu não sabia.

Esta ferramenta me mostrou que eu tenho um comportamento muito comunicativo, e realmente não consigo me adaptar em um ambiente focado somente no trabalho.

Para me desenvolver melhor, eu preciso de trocas entre pessoas, de um ambiente descontraído e de tarefas em grupos.

Se eu tivesse conhecido o DiSC antes, eu provavelmente entenderia algumas coisas que eu sentia e que eu fazia e poderia ter alinhado minha busca por um novo trabalho de uma forma diferente.

Independente do momento eu acredito que este texto possa ser útil a muitas pessoas que, assim como eu, se sentiam ou se sentem infelizes em sua vida profissional, mas acham que devem se enquadrar no que a sociedade julga como sucesso, trabalhando apenas pelo dinheiro e por reconhecimento.

Hoje eu entendo que sucesso é uma mistura de realização pessoal e profissional e a base para chegar nesta combinação perfeita é o autoconhecimento.

Temos que nos conhecer para entender de que forma seremos realmente felizes e só assim iremos encontrar um trabalho que realmente possamos amar.

Eu não quero chegar aos 60 anos e pensar: “Poxa, eu deveria ter mudado quando tive a chance.”, ou então “Poxa, eu deveria ter curtido mais a minha família.”.

Poucas pessoas, ainda mais tão jovens como eu, passam por crises como essa que passei e percebem isso como uma oportunidade de transformação.

O que te impede de ir em busca da sua verdadeira felicidade? Não deixe que o medo ou o orgulho de um julgamento alheio possam impedir a verdadeira sensação de alegria e de realização.

O nosso coração é o nosso maior termômetro da felicidade. Acredite em você, se conheça e seja verdadeiramente feliz.

Bruna, 27 anos

 

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Marco é Coach Executivo, Coach de Carreira e Sócio Administrador de uma empresa na área da saúde e uma empresa de treinamentos. Sua missão é desenvolver habilidades, competências e comportamentos para que líderes e futuros líderes alcancem seu verdadeiro potencial através de uma transformação positiva e permanente para eles, suas equipes, amigos e familiares.

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